sexta-feira, outubro 13, 2006

Uma encenação (quase)perfeita...

A edição de hoje do DN-M insiste no que ontem se provou ser uma "não-notícia".
E é tanta a vontade do vestuto matutino (130 anos cumpridos esta semana com direito a umbilical destacável) que hoje a edição online já estava até disponível depois da meia-noite quando por norma só depois das 03:00 é que se pode aceder.
Mais do que apontar as incongruências da primeira notícia (em que não há um único nome social-democrata que ateste a ideia defendida que Alberto João Jardim ponderava demitir-se e em que a palavra círculo surge como figura de estilo para disfarçar o óbvio: a fonte da notícia é o próprio Presidente do Governo Regional e o círculo a sua sombra) note-se esta interessante sucessão de acontecimentos: 1) O DN-M publica a informação de que Alberto João Jardim poderia demitir-se para haver eleições antecipadas. 2) À hora do almoço as televisões (nacionais) fazem eco da notícia e do jornal que a publicou. 3) À tarde o próprio Alberto João Jardim (a fonte da notícia, não o esqueçamos, nem sejamos ingénuos) nega e depois aparece na tv (nacional) em pose de estadista e muito respeitado num "discurso" em que volta a vitimizar-se e tenta passar a ideia de que a Madeira está sob um terrível ataque da República que quer acabar com o paraíso que é a Região para mais facilmente conseguir legitimar a defesa da Autonomia por parte do PSD-Nacional que tem imensa dificuldade em o fazer por causa dos sucessivos ataques de estupidez e boçalidade que tem tido ao longo destes 30 anos.
Ou seja: foi tudo muito bem encenado e mais para consumo nacional do que regional não sendo também de descartar a leitura do PCP-M(Edgar Silva) na sequela de hoje que interpretou a primeira notícia como uma vã tentativa de pressionar Cavaco Silva. Aliás, de certo modo Alberto João Jardim confirma essa ideia ao dizer que estava à espera da intervenção do Presidente da República ainda que não fosse falar com ele, o que dá a entender que àquela hora já teria recebido sinais de Belém de que não é este o caminho.
Entretanto na primeira peça as declarações de Jacinto Serrão, de Miguel de Sousa e de José Manuel Rodrigues são apenas para compor o ramalhete, que o objectivo, repito, não era para consumo interno.
A segunda é já o DN-M a tentar dizer que a não-notícia era mesmo notícia e fica sempre bem ouvir o ostracizado Virgílio Pereira, assim como mais algumas figuras da oposição que deveriam apenas ter respondido: A gerência agradece...
EMANUEL BENTO
NB: E Alberto João Jardim por mais que se esforçe não consegue distanciar-se do tipo de discurso que tem na Região (habitada por mentecatos e ignorantes) pois ao usar aqueles argumentos de que Sócrates e Teixeira dos Santos vão causar uma nova "peste negra" (miséria e desemprego e mais não sei que desgraças) em Portugal deve julgar que está a falar para os idiotas do costume...

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Nem mais. Muito bem observado. E o engraçado é que o diário teima em fazer parte deste folhetim - razão da sobrevivência de 130 anos; monarquia, I II e II Repúblicas, sempre situacionista...
O engraçado é ver alguns gajos importantes do PSD e não só colaboram nesta encenação.
O que eu sei é que o incompetente e manhoso do garcês já devia estar na rua pela marosca que arranjou dos 148 MIO de euros, aquela de ceder os créditos a uma empresa cotada na CMVM e depois descoberta pelo Banco de Portugal e pelo Eurostat é razão mais que suficiente para pô-lo na rua a tratar do seu escritóriozeco de contabilidade. Ah meu deus se isto fosse em Lisboa. Até a revista Maria o punha a roer as unhas.
Espero que a oposição acorde e faça o barulho necessário.

Zé Kalanga

12:57 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Haverá que reconhecer que o "movimento" resultou muito bem.
AJJ precisa de aparecer mais vezes em prime time nacional com a tal posse institucional...
Só ganha com isso.
Pois os "cubanos" confundem AJJ com o boneco da Mandala...
E sabemos todos que ele é às vezes assim, mas na maior parte do tempo não é.
E por isso é que vai ganhando eleições cá e ódios lá.
A informação no rectângulo é filtrada e disso ninguém pode duvidar.

Tolentino para lá.
Colunistas do Público depois.
E blogs repercutem as matérias.
E fica formada a opinião pública cubana desta forma.

2:08 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Bento, fica-te mal esse tipo de observações em relação ao Diário. Em primeiro lugar porque conheces (conheceste) a maior parte das pessoas que lá trabalham e também porque muitos até te apoiaram quando era muito díficil defender as tuas posições. Falta muita honestidade intelectual às últimas "bocas" que tens mandado ao DN o que, para mim, é uma desilusão sem qualquer hipótese de mudança de opinião. Com injustiças destas - recuso-me a falar em dor de cotovelo -, é complicado continuar a justificar certas atitudes e insultos que colocas nesta página. Francamente.

2:53 da tarde  

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