segunda-feira, outubro 16, 2006

Vamos todos comer bananas...


Depois de ler a primeira página da edição do DN-M de hoje em que se insiste novamente no "garrote" à Região o primeiro comentário a fazer é precisa-se urgentemente de dicionários de sinónimos nalgumas redacções.
Quanto ao anunciado plano do Governo Regional para incentivar o consumo de produtos regionais para que os madeirenses consumam só "made in Madeira" e assim fugirmos ao dito e redito "garrote" confirma-se o que sempre pensei: vivemos numa ilha de macacos e agora que isso está definido (e nem é preciso ler Skinner e o Behaviorism nem as experiências com bananas e macacos) vamos todos comer bananas (em cima de toalhas de Bordado Madeira) acompanhadas de cálices de Vinho Madeira. Isto é que vai ser uma felicidade...
EMANUEL BENTO

2 Comments:

Anonymous Faustina L. W. said...

Tem toda a razão. As redacções estão a precisar de dicionários mas não só; precisão também de mais seriedade e independência. A notícia de sábado passado (que fazia alias, manchete) do Diário de Notícias, segundo a qual o governo central voltaria a discriminar a Madeira a favor do Algarve («500 milhões para o Algarve e “garrote” para a Madeira»), para além de pouco rigorosa, era profundamente manipuladora, tanto mais que um deputado do PS-Madeira já se sentiu na obrigação de pedir explicações ao governo central.
A notícia afirmava que Sócrates iria atribuir ao Algarve 553 milhões de euros para compensar esta região da perda repentina de fundos estruturais, enquanto à Madeira – essa eterna vítima de conspirações várias (só faltou dizer isto) – não havia mais um tostão de fundos.
A notícia, da autoria de Agostinho Silva, enfatizava tão escandalosa descriminação através da referência ao facto de que «O Algarve está exactamente nas mesmas condições que a Madeira, em virtude de ambas as regiões terem perdido o estatuto de “Objectivo 1” perante a União Europeia. No entanto, ao contrário do Algarve, a Madeira não vai beneficiar de nenhuma compensação do Estado português (...)».
Sucede que esta informação está mal elaborada e revela falta de trabalho de investigação que o jornalista não escreveria isto se a tivesse feito. A não ser que haja intenção de fazer vincar uma certa ideia no leitor. Passo a explicar.
Li no própria Diário de Notícias que, de facto, o Algarve e Madeira eram duas regiões que deixariam de ser classificadas como regiões pobres ou alvo de intervenções prioritárias, e que seriam incluídas no grupo de regiões abrangidas pelo regime de“saída faseada”. Mas, aquando do acordo europeu sobre o assunto – final do ano passado – ,li quer no Diário de Notícias, quer no Expresso que a Madeira, por ser reconsiderada região ultraperiférica, ficaria abrangida por um regime especial que lhe garantia mais fundos do que se ficasse no mesmo grupo do Algarve.
A esta benesse, foi ainda adicionado um apoio especial concedido a todas as regiões ultraperiféricas - li eu no mesmíssimo Diário de Notícias da Madeira, bem como noutros jornais e semanários.
Fui à Internet e, numa pesquisa ao complicado site da Europa, descobri que o montante desse apoio é de 35 euros por habitante, anualmente! Ao Algarve nada...
Qualquer pessoa percebe que, no acordo europeu, a Madeira saiu beneficiada comparativamente ao Algarve: A Madeira beneficiou de duas excepções; o Algarve, nenhuma!!!!!
Portanto, ao contrário do que escreveu Agostinho da Silva, o Algarve não está nas mesmas condições que a Madeira; está em desvantagem.
Ora, se eu fui capaz de me lembrar dos regimes especiais, e se fui capaz de ir ao site da União Europeia numa pesquisa algo complexa mas não impossível, o jornalista Agostinho da Silva, tinha mais do que obrigação de o fazer também e descobrir que o Algarve saiu desfavorecido do acordo europeu de Dezembro (que volto a repetir, consegui retirar da net e Agostinho, pelos vistos, não).
É, por conseguinte, natural que Sócrates tente recompensar o Algarve da posição desvantajosa com que esta região saiu do acordo europeu sobre a repartição de fundos estruturais.
Agostinho pode considerar que não. Mas o que não se pode aceitar é que ele escreva que ambas as regiões estão nas mesmas condições. Isto é mau jornalismo; revela falta de rigor e preguiça jornalista. Ou, então, o Diário de Notícias está confinado a uma transcrição linear do discurso do governo regional, hipótese a analisar com mais detalhe. Nesse caso, percebe-se aquele bazar pavoroso para comemorar os cento e tal anos do jornal.
Acaba-se de saber, pelo telejornal da RTP-Madeira, que do orçamento de Estado vêm para a Madeira cento e tal milhões de euros. É muito. Um quarto chegava. Outro bimbo parece pedir um referendo sobre a independência da Madeira. Concordo. E já sei o resultado. Não.

9:17 da tarde  
Anonymous Faustina said...

Duas rectificações ao texto anterior:
1) em vez de "precisão" deve ler-se precisam;
2) afinal, não não são cento e tal milhões de euros para a Madeira, mas duzentos e tal milhões.
É muito dinheiro e tudo continuará na mesma: a arrogância, o desperdício, a compra de eleitores e por aí fora. Os encargos da dívida poderão estorvar qualquer coisa, mas muito pouco. Continuaremos ultraperiféricos por muitos e bons anos. Lisboa voltou a esquecer-se da Madeira enchendo novamente os bolsos desta “corja de bandidos” e incompetentes que se apoderou do poder regional há trinta anos(cito Clara Ferreira Alves, quando se referia aos autarcas). Foi tudo uma farsa.

5:17 da tarde  

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